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Cativados por Cristo

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diegorubin
22 de Janeiro de 2016, 22:22
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Introdução

No capítulo 12 do evangelho de João, Jesus fala um pouco de sua missão na terra e de seu sacrifício. A partir do verso 20 do capítulo é relatado que alguns gregos queriam ter um encontro com Cristo e quando o Senhor é informado, Ele começa a falar de sua morte e de coisas que aconteceriam com a consumação da mesma. Este é um texto riquíssimo que contém muitos pontos chaves a respeito da escatologia e da soteriologia, porém será utilizado como base para este artigo os versículos 31, 32 e 33, que dizem [1]:

31 Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso. 32 E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. 33 Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer.

Nesses versículos estão descritas algumas das consequências da morte de Cristo na cruz: O mundo foi julgado, a relação entre homem e seu Criador pôde novamente ser estabelecida através de Cristo Jesus; O adversário de nossas almas não pode mais nos acusar dado que formos lavados e remidos pelo sacrifício de Cristo; O pacto, antes restrito a nação de Israel, agora alcança cada nação e todos são atraídos a Cristo.

Quero chamar a atenção para o verso 32. O texto retrata essa ação em uma perspectiva do Senhor mas para essa discussão quero tratar essa ação através de nossa ótica, do ponto de vista de quem foi atraído. Por uma questão literária, também quero utilizar de um sinônimo da palavra atrair, irei utilizar a palavra cativar[2], reescrevendo o verso 32: "E eu, quando for levantado da terra, cativarei todos a mim mesmo".

Por quê dessa mudança? Gostaria de explicá-la melhor.

Cativados

Quando eu comecei a ir na igreja, a igreja onde me converti, ou melhor, a linha de pensamento da igreja que me converti ao Senhor dicotomiza muito nossas relações do dia-a-dia, fazendo com que tenha me afastando de muitas expressões culturais que venho descobrindo nos últimos tempos. Depois que entendi o conceito de Graça Comum[3] da teologia reformada, tenho aberto mais meus horizontes. Com isso não quero dizer que vou aceitar qualquer coisa, mas sim examinar tudo e reter o que é bom[4]. Confessando pecados aqui, já fiz parte do grupo de pessoas que demonizava tudo, assim como fui instruído a fazê-lo. Mas louvo a Deus, por não fazer mais parte deste grupo.

Estou escrevendo isso, para explicar minha motivação da reflexão deste artigo. Não tive a oportunidade de ler quando criança o famoso livro intitulado O Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry e este livro acabou chegando até minhas mãos esses dias através de minha amiga Nathalia. Achei o livro fantástico e um determinado trecho me fez lembrar dos versículos que tratamos no inicio do artigo. Não quero dar spoiler da história do livro, mas vou citar o trecho que me levou à reflexão.

Porém, antes de continuar, quero deixar aqui um aviso muito importante: Meu objetivo com este artigo NÃO é fazer teologia a partir de um livro infantil, mas sim utilizar como ilustração para uma reflexão totalmente baseada na Bíblia e estimular a leitura.

Em determinado trecho da aventura do pequeno príncipe na terra, após ter um encontro com uma plantação de rosas, rosas como a que ele tinha em seu planeta e que achava que ela era única, ele dialoga com uma raposa. Neste dialogo algumas frase e pensamentos chamaram-me muito a atenção.

Não me cativaram ainda

O príncipe convida a raposa para brincarem e ela responde dessa forma - não posso, não me cativaram ainda.

Essa fala faz-me lembrar do situação antes de obra de Cristo. Sem esse sacrifício por parte de Jesus não poderíamos ter acesso ao Pai.

Tu não és ainda para mim senão um garoto igual a cem mil outros

As vezes pego-me pensando muito racionalmente, tentando sempre justificar a nossa crença por viés filosóficos. Existem diversas razões racionais que justificam nossas crenças, porém há razões que ultrapassam esses limites.

Para ateus, o cristianismo é mais uma entre tantas religiões, como para a raposa o príncipe é só mais um entre tantos garotos. Mas quando a raposa for cativada pelo príncipe, ele se tornará único. O que nos cativou foi o sacrifício de Cristo, e isto torna o cristianismo único para nós.

Eu sei que existem diversos problemas de cunho filosófico na minha comparação, porém, reforçando novamente, são apenas ilustrações.

Terei, sim, por causa da cor do trigo

Quando os dois despendem-se, o príncipe acredita que só fez mal a raposa, pois a mesma parece sofrer com a separação, mas a raposa explica que não, que agora ela pode observar o trigo e por causa de sua cor e do balançar com o vento, ira lembrar de seu novo amigo que possui cabelos loiros.

Antes de Cristo ascender aos céus ele prometeu que voltaria e também deixou algo visível para que possamos sempre lembrar de seu feito e de sua promessa de retorno, que é a ceia.

Mas além disso Ele deixou o Espirito Santo e prometeu que nunca estaríamos só. [5] Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas

Esta é ultima fala da raposa, e esta fala também nos revela algo importante, Jesus promete que passaremos a eternidade com Ele.

O que será que realmente tem nos cativado?

Qual tem sido a motivação de dizermos que somos cristãos? Será que Cristo nos cativou, ou foi alguma outra coisa? Será que temos frequentado uma comunidade com objetivo de aprendermos mais sobre nosso Senhor e junto com nossos irmãos adorá-lo ou há outras motivações?

Se há uma outra coisa diferente do amor de Jesus que nos cativou, mesmo que essas coisas pareçam piedosas, não há valor algum perante Deus.

Nossos corações realmente devem arder por Cristo e Ele deve ser sempre nosso foco.

E agora que fomos cativados?

Não quero parecer que estou escrevendo um artigo de auto ajuda, mas esse é um fato, para Cristo você é único. Você que foi cativado por Jesus, para Ele você não é apenas um ser humano comum, você é único ao ponto dele se sacrificar por você. Se entendermos isso, daremos mais valor na oportunidade que temos de poder ter um contato com o Criador.

Conclusão

Lembrando do artigo anterior [6], se nós fomos realmente cativados poderemos dar uma resposta para a pergunta de Jesus - "Mas vós, quem dizeis que eu sou?" [7] - não nó da baco para fora mas de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento[8].

Se você ainda não foi cativado por Cristo e que tem esse desejo, ore ao Senhor, para que você possa experimentar desse amor.

Outra coisa importante que devemos sempre recordar é que Cristo nos atraiu a Ele, não nos atraiu a uma instituição ou a um prédio. Nosso foco sempre deve ser Jesus.

Notas

[1] Versão João Ferreira de Almeida, Revisada e Ampliada

[2] http://www.dicio.com.br/cativar/

[3] http://www.monergismo.com/textos/pneumatologia/gracacomumgrudem.htm

[4] 1 Tessalonicenses 5:21

[5] Salmos 23:4, João 14:18

[6] http://humanidadeutil.com.br/2016/01/17/o-cristao-os-nao-cristaos-e-a-pascoa

[7] Mateus 16:15

[8] Lucas 10:27