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[Reforma] Pré-Reformadores

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diegorubin
21 de Setembro de 2017, 14:37
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6 de julho de 1415, o pregador que um dia foi responsável pela Capela de Belém em Praga na Boêmia, John Huss, é morto queimado em uma fogueira.

John Huss, nascido na Boêmia, foi um pregador da palavra de Deus e que também chegou a ser estudante e mais tarde reitor da Universidade de Praga, é considerado um pré-reformador. Um pouco antes de Huss começar seu trabalho nesse sentido, um outro teólogo, este nascido na Inglaterra, também dedicava-se ao trabalho de expor os erros que estavam sendo praticados pela igreja romana, seu nome era John Wycliffe.

Entre outras acusações, Wycliffe defendia que o líder da igreja deve ser Cristo e não o papa, questionava o acúmulo de propriedades por parte dos líderes eclesiásticos imorais, afirmava a autoridade única da Bíblia sobre a vida do crente e da Igreja. Defendia que a Bíblia deveria ser traduzida para a língua vernácula e realizou a tradução do Novo Testamento para o inglês.

Estudantes boêmios levaram as ideias de Wycliffe da Inglaterra para o Boêmia, e que por fim, chegaram aos ouvidos de Huss e o influenciou muito desde então.

Wycliffe como um erudito, grande parte de seu tempo passou-se dentro de bibliotecas e escritórios, ja Huss era um pastor e pregador por excelência. Ele propagou, através de seu púlpito e de suas aulas, sua defesa de que a igreja precisava de mudanças para que a vontade de Deus fosse atendida. Ele acabou por estabelecer assim uma igreja na Boêmia que cerca de cem anos depois iria aderir à revolução que hoje chamamos de Reforma Protestante.

Sua dedicação a esses ideais incomodou muito a igreja dominante o que levou Huss a ser condenado no Concílio de Constança.

Diferente de Wycliffe, que morreu de forma natural pois haviam pessoas que o protegeram da perseguição da igreja e diferente também de Lutero que anos mais tarde teve a promessa de salvo conduto cumprida pelo imperador Carlos V, Huss não teve o seu pedido de salvo conduto ao imperador Sigismundo atendido e acabou sendo executado na fogueira como herege.

Atualmente, quando falamos de reforma protestante, sempre lembramos principalmente de Lutero e Calvino, porém esses homens realizaram um papel muito importante também, nesse sentido, uma fato que nos chama a atenção é: No famoso debate de Lutero com John Eck, em Lípsia, Eck acusou Martinho Lutero de ser um hussita, porque Lutero apelava para a suprema autoridade das Escrituras. Lutero não estava certo sobre isto, mas passou a pausa do meio-dia lendo o que Huss tinha escrito. No início da sessão da tarde ele surpreendeu a todos proclamando: “Ich bin ein Hussite!”, literalmente, "Eu sou um hussita!".

Trazendo para nossos dias:

A denúncia realizada por Wycliffe e Huss ainda pode ser apregoada em nossos dias:

  • A afirmativa de que a Bíblia deve ser a única regra de fé e prática é muito importante para um tempo onde existem vários líderes religiosos que dizem serem “boca de Deus” e que contradizem princípios expostos através da Palavra.
  • A denúncia a respeito do acúmulo de riquezas por parte de líderes gananciosos, denúncia que foi apregoadas pela vida desses pré-reformadores, com o respaldo do profetismo veterotestamentário e do modo de vida dos apóstolos e da igreja primitiva, devem continuar em nossas pregações.

Fontes

Retratos de Santos Fiéis, Herman Hanko, editora Fireland Missions, caps 18 e 19

O Cristianismo Através dos Séculos, Earle e. Cairns, editora Vida Nova, págs 224-228

http://www.sepoangol.org/huss.htm, visitado em 15/09/2017